quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Tetélestai



Francamente olhe para nós, somos só um pedaço da vida, disformes, propensos, viciados, efêmeros, um pedaço avariado de Deus. Então como aceitar tudo isso e saltar à graça, mergulhar, deixar-se permear por Caminho, Verdade e Vida, sem um subterfúgio se quer para se agarrar enquanto se cai nas mãos de Deus.

Caros impostores sejamos francos, melhor cair aqui, mais confortável, melhor esse cômodo, que cair na cruz e aceitar nossa condição denunciada no amor. Assumir Cristo esfregando suas vestes sujas nos tanques da redenção. Como olhar nos olhos daquele que rendeu seu sangue para redenção de nossos corpos, alma e espírito? Nosso orgulho consentirá? A gente olha pra dentro da gente e reluta aceitá-lo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Abraçe!



A duração média de um abraço entre duas pessoas é de 3 segundos.

Mas os pesquisadores descobriram algo fantástico.

Quando um abraço dura 20 segundos, há um efeito terapêutico sobre o corpo e mente.

A razão é que um abraço sincero produz um hormônio chamado “oxitocina”, também conhecido como o hormônio do amor.

Desta substância medram muitos benefícios a nossa saúde física e mental, ajuda-nos, entre outras coisas, à relaxar, à se sentir seguro e a acalmar nossos medos e ansiedades.

Este maravilhoso calmante é oferecido de forma gratuita cada vez que temos uma pessoa em nossos braços.



Nicole Bordeleau

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Maria



Ela Maria, mãe de um filho especial, tão especial que obviamente já sabia que a transcendia tal missão demasiada sobrenatural, dar a luz e Vê-la iluminar. Daí então todo que o conhecia a ela dizia: - Ele é especial! Mas para ela nada novo em seu amar intocado, transcorria o dia e tudo seguia imaculado.

É especial? É um filho para mim! Todos os meus filhos são especiais, é reservado a todos um amor assim, não tem nada de anormal, é justo, nobre, bonito, a mim Ele veio de modo tão natural.

Com palavras prostituiria amor tão santo e ilibado, só esse amor a todos caminha ao lado, nada se compara e a nada pode ser igualado.


Nessa história de ser mãe vem em negrito, já no manual, seu amor sempre será INCONDICIONAL. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A vida é sonho - Calderón de La Barca



"Ai de mim. Ai, pobre de mim!
Aqui estou, ó Deus, para entender que crime cometi contra Vós.
Mas, se nasci, eu já entendi o crime que cometi.
Aí está motivo suficiente para Vossa justiça, Vosso rigor, pois o crime maior do homem é ter nascido.
Para apurar meus cuidados, só queria saber que outros crimes cometi contra Vós além do crime de nascer. Não nasceram outros também?
Pois, se os outros nasceram, que privilégio tiveram que eu jamais gozei?
Nasce uma ave, e, embelezada por seus ricos enfeites não passa de flor de plumas, ramalhete alado, quando veloz cortando salões aéreos, recusa piedade ao ninho que abandona em paz. E eu, tenho mais instinto, tenho menos liberdade?
Nasce uma fera, e, com a pele respingada de belas manchas, que lembram estrelas. Logo, atrevida e feroz, a necessidade humana lhe ensina a crueldade, monstro de seu labirinto. E eu, tendo mais alma, tenho menos liberdade?
Nasce um peixe, abordo de ovas e lodo, e, feito um barco de escamas sobre as ondas, ele gira, gira por toda a parte, exibindo a imensa habilidade que lhe dá um coração frio; e eu, tendo mais escolha, tendo menos liberdade?
Nasce um riacho, serpente prateada, que dentre flores surge de repente e de repente, entre flores se esconde, onde músico celebra a piedade das flores que lhe dão um campo aberto à sua fuga. E eu, tendo mais vida, tenho menos liberdade?
Assim, assim chegando a esta paixão, um vulcão qual o Etna quisera arrancar de perto pedaços do coração.
Que lei, justiça ou razão pôde recusar aos homens privilégio tão suave, exceção tão única que Deus deu a um cristal, a um peixe, a uma fera e a uma ave?"

Texto de Pedro Calderón de La Barca (1600 - 1681), dramaturgo espanhol.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Por que no meio da dor os negros, dançam, cantam e riem?

Trechos do artigo de Leonardo Boff 
"Por que no meio da dor os negros, dançam, cantam e riem?" 

"...porque a alegria do Senhor é a vossa força."
Neemias 8:10b


"...Os africanos usam a palavra ubuntu que significa:”eu sou o que sou porque pertenço à comunidade” ou “eu sou o que sou através de você e você é você através de mim”. Todos precisamos uns dos outros; somos interdependentes. O que a física quântica e a nova cosmologia dizem acerca de interconexão de todos com todos é uma evidência para o espírito africano."

"...O terceiro eixo são os rituais e celebrações. Ficamos admirados que se dedique um dia inteiro de orações por Mandela com missas e ritos. Eles sentem Deus na pele, nós ocidentais na cabeça. Por isso dançam e mexem todo o corpo enquanto nós ficamos frios e duros como um cabo de vassoura."

"...Há alguns anos, na África do Sul, impressionei-me ao ver que bastava se reunirem três ou quatro negros para começarem a cantar ea  dançar, com um largo sorriso.Um dia, perguntei a um jovem motorista de taxi:”Seu povo sofreu e ainda sofre muito. Mas basta se juntarem umas poucas pessoas e vocês estão dançando, cantando, rindo. De onde vem tanta força?” E ele: “Com o sofrimento, nós aprendemos que a nossa alegria não pode depender de nada fora de nós. Ela tem de ser só nossa, estar dentro de nós.”

http://goo.gl/xF5jQo

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

I-maculado?


Aquela sujeirola pobre no fundo da alma, mesmo no mais sublime e ilibado amor mundano, convence da paupérie humana que tanto contesta meu coração.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cuide do jardim


http://www.streetartutopia.com/?p=11326

Gn. 2.8,9,15

No princípio Deus...

Valdir Steuernagel


Pela janela da nossa casa eu contemplo o sol, em sua majestade, se pondo com beleza e dignidade sobre um verde exuberante em que se sobressaem, altaneiras, muitas copas de protegidas araucárias. 

Forte, lindo e imponente, ele indica que o dia está chegando ao fim. Ao contemplar a belíssima paisagem, me pergunto até quando esse verde se manterá, ou se o desenvolvimento urbano e a exploração imobiliária tornarão este cenário cinzento e sem vida, e o pôr do sol mais triste.

Todavia, em Curitiba, onde moramos, acabar com este verde não é tão fácil. Anos atrás, ao construirmos a sede do Centro de Pastoral e Missão, onde eu atuava, a liberação do projeto demorou porque a construção implicava o corte de uma imponente árvore chamada açoita-cavalo. Finalmente a construção foi remanejada para proteger a árvore e esta passou a fazer parte do complexo. Apesar de não ter gostado da demora na aprovação do projeto, confesso que gostei da firmeza e rigidez dos órgãos envolvidos na sua avaliação. E nós, ao integrarmos aquela árvore ao nosso projeto, contribuímos para que o verde ainda seja uma pequena realidade na cidade.

Lembro-me disso ao escrever este artigo que quer celebrar a criação de Deus e reconhecer o seu mandato para construirmos um ambiente de vida onde a natureza seja preservada, onde haja espaço e recursos para todos e a criação seja celebrada como um ato de Deus a cada pôr do sol.

Não me canso de encantar-me com os dois relatos da criação sobre os quais vimos refletindo nesta coluna de Ultimato. Além de nos levarem ao reconhecimento de Deus como criador, eles nos presenteiam com a revelação de que somos chamados a participar no gerenciamento da sua criação.

No relato de Gênesis 1, Deus cria o homem e a mulher, abençoa-os e, ato contínuo, manda-os ocupar o espaço criado por meio do milagre da multiplicação, exercer autoridade sobre a natureza e os seus habitantes e extrair da terra o necessário para a sobrevivência, não apenas da raça humana, mas de toda a criação carente de sustento (Gn 1.28-30). Em Gênesis 2, a orientação que Deus dá ao casal recém-criado tem outros contornos, mas o mesmo cerne: cuidar do jardim no qual eles foram colocados e alimentar-se daquilo que ele havia criado (Gn 2.8-15).

Há um enorme leque de aprendizados a partir destas narrativas, mas me detenho a dois deles.

Da mentalidade do progresso para a cultura do cuidado

Nós somos, em grande parte, fruto de uma mentalidade do progresso, na qual o importante é extrair e produzir. A natureza torna-se uma fonte de matéria-prima e qualquer coisa que se interponha a este objetivo tem de ser conquistada ou derrubada. Assim, extraímos os recursos naturais que encontramos e jogamos os detritos em qualquer lugar ou em qualquer rio; derrubamos tudo o que seja empecilho para produzir mais e a melhor preço; e transformamos as nossas cidades numa selva de pedras, a natureza num espaço destruído, os nossos rios numa correnteza de dejetos e poluímos os nossos céus a ponto de ofuscarmos o pôr do sol. E com isso julgamos estar progredindo.

Este, no entanto, é um progresso doentio e cresce o reconhecimento de que seguindo esse ritmo acabaremos impossibilitando a própria vida. As bruscas mudanças climáticas, os processos de desertificação, os incontroláveis índices de poluição (para citar apenas alguns exemplos) irão causar significativos índices de doença, morte e crescentes conflitos devido à busca de espaço limpo, clima saudável, água potável e recursos naturais necessários para manter a vida fluindo.

As palavras de Gênesis 1 e 2 nos convocam a um jeito de viver que aponte para o fato de que o mundo em que vivemos não é nosso e de que não somos donos de nada, mas apenas gerentes de algo que nos foi confiado. Um jeito que nos convoca ao respeito pela criação e à gestação de uma cultura do cuidado, tanto com a natureza como de um com o outro. Um jeito consciente de que adorar a Deus produz respeito em relação ao outro e à própria natureza. Envolver-se na cultura do cuidado é um ato de obediência a Deus.

Deus quer muito mais do que salvar a nossa alma.

Deus nos criou para a convivência coletiva, a construção de uma cidadania justa e respeitosa e para a cogestão do meio ambiente, num ritmo que inclui o descanso. Nós, no entanto, parecemos ignorar isso, ao entendermos erroneamente a nossa vida com Deus como algo espiritualizado, enquanto na vida cotidiana seguimos o mandato do mercado. Transformamos a vivência da nossa fé em algo estreito e capenga, vivendo como se Deus só se interessasse pelas “nossas almas” e deixando o resto da nossa vida entregue às próprias leis, quando não à força do mal. É preciso resgatar a compreensão de que todas as áreas da nossa vida estão nas mãos de Deus e devem ser uma resposta ao Deus que nos criou por inteiro. Caso contrário, estaremos reduzindo o próprio Deus, como se ele fosse um deus parcial com interesses parciais. O convite dos relatos da criação certamente não segue esta vertente. Pelo contrário, eles têm sintonia com o salmista (Sl 105.1) quando ele diz:

“Deem graças ao Senhor, proclamem o seu nome;
divulguem os seus feitos entre as nações”.


• Texto de Valdir Steuernagel ele é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial.