quinta-feira, 27 de novembro de 2014

I-maculado?


Aquela sujeirola pobre no fundo da alma, mesmo no mais sublime e ilibado amor mundano, convence da paupérie humana que tanto contesta meu coração.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cuide do jardim


http://www.streetartutopia.com/?p=11326

Gn. 2.8,9,15

No princípio Deus...

Valdir Steuernagel


Pela janela da nossa casa eu contemplo o sol, em sua majestade, se pondo com beleza e dignidade sobre um verde exuberante em que se sobressaem, altaneiras, muitas copas de protegidas araucárias. 

Forte, lindo e imponente, ele indica que o dia está chegando ao fim. Ao contemplar a belíssima paisagem, me pergunto até quando esse verde se manterá, ou se o desenvolvimento urbano e a exploração imobiliária tornarão este cenário cinzento e sem vida, e o pôr do sol mais triste.

Todavia, em Curitiba, onde moramos, acabar com este verde não é tão fácil. Anos atrás, ao construirmos a sede do Centro de Pastoral e Missão, onde eu atuava, a liberação do projeto demorou porque a construção implicava o corte de uma imponente árvore chamada açoita-cavalo. Finalmente a construção foi remanejada para proteger a árvore e esta passou a fazer parte do complexo. Apesar de não ter gostado da demora na aprovação do projeto, confesso que gostei da firmeza e rigidez dos órgãos envolvidos na sua avaliação. E nós, ao integrarmos aquela árvore ao nosso projeto, contribuímos para que o verde ainda seja uma pequena realidade na cidade.

Lembro-me disso ao escrever este artigo que quer celebrar a criação de Deus e reconhecer o seu mandato para construirmos um ambiente de vida onde a natureza seja preservada, onde haja espaço e recursos para todos e a criação seja celebrada como um ato de Deus a cada pôr do sol.

Não me canso de encantar-me com os dois relatos da criação sobre os quais vimos refletindo nesta coluna de Ultimato. Além de nos levarem ao reconhecimento de Deus como criador, eles nos presenteiam com a revelação de que somos chamados a participar no gerenciamento da sua criação.

No relato de Gênesis 1, Deus cria o homem e a mulher, abençoa-os e, ato contínuo, manda-os ocupar o espaço criado por meio do milagre da multiplicação, exercer autoridade sobre a natureza e os seus habitantes e extrair da terra o necessário para a sobrevivência, não apenas da raça humana, mas de toda a criação carente de sustento (Gn 1.28-30). Em Gênesis 2, a orientação que Deus dá ao casal recém-criado tem outros contornos, mas o mesmo cerne: cuidar do jardim no qual eles foram colocados e alimentar-se daquilo que ele havia criado (Gn 2.8-15).

Há um enorme leque de aprendizados a partir destas narrativas, mas me detenho a dois deles.

Da mentalidade do progresso para a cultura do cuidado

Nós somos, em grande parte, fruto de uma mentalidade do progresso, na qual o importante é extrair e produzir. A natureza torna-se uma fonte de matéria-prima e qualquer coisa que se interponha a este objetivo tem de ser conquistada ou derrubada. Assim, extraímos os recursos naturais que encontramos e jogamos os detritos em qualquer lugar ou em qualquer rio; derrubamos tudo o que seja empecilho para produzir mais e a melhor preço; e transformamos as nossas cidades numa selva de pedras, a natureza num espaço destruído, os nossos rios numa correnteza de dejetos e poluímos os nossos céus a ponto de ofuscarmos o pôr do sol. E com isso julgamos estar progredindo.

Este, no entanto, é um progresso doentio e cresce o reconhecimento de que seguindo esse ritmo acabaremos impossibilitando a própria vida. As bruscas mudanças climáticas, os processos de desertificação, os incontroláveis índices de poluição (para citar apenas alguns exemplos) irão causar significativos índices de doença, morte e crescentes conflitos devido à busca de espaço limpo, clima saudável, água potável e recursos naturais necessários para manter a vida fluindo.

As palavras de Gênesis 1 e 2 nos convocam a um jeito de viver que aponte para o fato de que o mundo em que vivemos não é nosso e de que não somos donos de nada, mas apenas gerentes de algo que nos foi confiado. Um jeito que nos convoca ao respeito pela criação e à gestação de uma cultura do cuidado, tanto com a natureza como de um com o outro. Um jeito consciente de que adorar a Deus produz respeito em relação ao outro e à própria natureza. Envolver-se na cultura do cuidado é um ato de obediência a Deus.

Deus quer muito mais do que salvar a nossa alma.

Deus nos criou para a convivência coletiva, a construção de uma cidadania justa e respeitosa e para a cogestão do meio ambiente, num ritmo que inclui o descanso. Nós, no entanto, parecemos ignorar isso, ao entendermos erroneamente a nossa vida com Deus como algo espiritualizado, enquanto na vida cotidiana seguimos o mandato do mercado. Transformamos a vivência da nossa fé em algo estreito e capenga, vivendo como se Deus só se interessasse pelas “nossas almas” e deixando o resto da nossa vida entregue às próprias leis, quando não à força do mal. É preciso resgatar a compreensão de que todas as áreas da nossa vida estão nas mãos de Deus e devem ser uma resposta ao Deus que nos criou por inteiro. Caso contrário, estaremos reduzindo o próprio Deus, como se ele fosse um deus parcial com interesses parciais. O convite dos relatos da criação certamente não segue esta vertente. Pelo contrário, eles têm sintonia com o salmista (Sl 105.1) quando ele diz:

“Deem graças ao Senhor, proclamem o seu nome;
divulguem os seus feitos entre as nações”.


• Texto de Valdir Steuernagel ele é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial.

sábado, 30 de agosto de 2014

IMPRESSIONÍVEL

Epopeia mais contemporânea impossível
Gabar os textos como uma das melhores discorrências já vistas, passível
Forte concorrente para sua obra prima meu caro Jonze.
Impressionível, Impressionante com incrível.



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Lamento Samaritano...


"De tanto passar de largo.. de tanto de largo passar, os olhos se obscureceram e a vida se findou assim.. apenas um longo e pobre passar.." 

Homenagem ao Adriano e Jair, seu cachorro..

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Aos produtores de Paz!



"Sábio é quem se domina, mina de ouro é o calar. Som e silêncio se amam; moram no mesmo lugar."

Zazo

domingo, 13 de julho de 2014

Sobre as Torrentes



Se essas águas não me cabem, que abundem, 
que transbordem minhas represas, que arrebentem contra as rochas do meu peito e que o vapor dessas quedas orbitem minhas extensões mais espúrias, 
espero ao cheiro das águas brotar nova vida.

Que inundem minha casa e destruam meus bens paupéries, que encharquem os ismos, os conceitos, os preceitos e os preconceitos. Que molhem esse eu, solo, seco, tantas vezes infértil, que me desabriguem do ego e redimam as poças e charcos amargos que minam desse velho coração. 

Que lavem a cosmética e emanem até verter o imaculado todo e destilado, que encham e levem o estéril, que ao remir o deletério reste apenas um afluente sincero, desaguando ao mundo uma nova criatura.


Eu espero após o rigor da enchente sentir o cheiro da vida, perceber a brisa suave e as poças e charcos da felicidade.

quinta-feira, 10 de julho de 2014